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O fator decisivo na seleção de pessoal
29/11/2017  

Muitas pessoas me perguntam: Qual é o fator decisivo para os RHs em um processo seletivo?

Pois bem, essa é uma pergunta difícil, já que uma seleção depende de muitas variáveis. Por isso acho tão fantástico selecionar pessoas. Contudo, tenho algumas dicas que acredito não serem importantes só para mim, mas para muitos RHs que já mudaram um pouco a sua visão da área.

O mundo já deixou de ser chato há muito tempo. Aquela coisa da formalidade, de não demonstrar fraquezas, de responder somente o necessário, de não fazer perguntas, de tentar ser o máximo em tudo, já não cabe mais. Eu sempre costumo dizer para os meus assessorados que um processo seletivo é composto de pessoas, e quem entrevista tem as suas dores, suas alegrias, suas motivações, suas frustações e expectativas na vida. Então a primeira coisa que digo é: relaxe. Você está diante de um ser humano. E se ele estiver iniciando a carreira em seleção, deve estar tão nervoso quanto você.

Tenho sim alguns pontos que acho fundamentais na escolha por um candidato. O primeiro deles é o BO. Não é Boletim de Ocorrência (rsrsr), é sim o que chamamos de Brilho no Olho. Aquela pessoa que sabe o que faz ali, que estudou sobre a empresa, que entrou em sites, que conversou com pessoas e está realmente motivado a fazer parte daquela organização. Estabelecer uma conversa com o entrevistador é muito importante também. Não esperar que ele faça a pergunta, não ser monossilábico, não ter medo de contar um pouco mais sobre a sua experiência.

Faz algum tempo entrevistei uma pessoa que espontaneamente me contou sobre uma imaturidade cometida em um dado momento de sua carreira e como ela, depois de alguns anos, agiu de forma totalmente diferente. Fiquei surpresa pela coragem e pela percepção de como mudou e aprendeu com o passar dos anos. Certamente que, para aquela posição trabalhada, essa pessoa se destacou das demais.

Claro que os RHs tem para uma vaga, um check list considerável de requisitos técnicos e comportamentais para levar em conta. Temos também que olhar o candidato sob a ótica da cultura da empresa, da equipe que ele vai atuar, da liderança que vai se reportar, levando em consideração a descrição do seu papel e as atividades desenvolvidas. Por isso, falei no início do texto das variáveis que são muitas.

Existe aquela máxima: as pessoas são contratadas pelo técnico e desligadas pelo comportamental. Isso é de fato real, por isso a questão do Brilho no Olho e da atitude do nosso conhecido CHA são fundamentais em um processo.

Tem uma hora que é muito esperada por mim em uma entrevista, e por incrível que pareça é quando eu pergunto sobre os hobbies. Acho que saber o que a pessoa faz além de trabalho e estudo relevam muito de quem ela é. Tem pessoas que curtem esportes diversos, que tocam em banda, que jogam botão, que escrevem, que passeiam com cachorros dos vizinhos, que cozinham, que fazem parte de ONGs, que auxiliam em algum projeto bacana, que fazem tatuagem nas horas livres, que andam de skate, que pintam quadros, etc. O que te faz de diferente? Qual é o teu repertório de vida? Como tu busca se desenvolver como pessoa? Teve poucos momentos da minha vida que eu não tive um hobby e isso me deixava um pouco para baixo, pois eu pensava: no que estou investindo, além de ir para o meu trabalho e no máximo para uma academia?

Já vi muitas pessoas transformarem um hobby em uma carreira. Que conseguiram através de uma atividade extra, colocar o seu plano B em prática. Nossos hobbies revelam as nossas paixões e nos fazem pessoas mais interessantes.  Eles representam aquilo que a gente faz sem necessariamente ter que ganhar dinheiro. Já vi gente se empregar também através de indicações de trabalho voluntário. Isso é muito legal! Qual é a sua tribo? Se você ainda não descobriu, é porque falta aí um trabalho forte de autoconhecimento. Contudo, não quero desvirtuar o assunto, porque esse tema daria muito pano para manga.

Na cabeça de um entrevistador pode passar várias vezes os pensamentos: sim, não, talvez. Quando chegamos ao sim, que nem sempre é só de uma pessoa, visto que geralmente gestores e técnicos também avaliam, é muito vitorioso. Por isso quando falo de brilho no olho, não estou falando só no momento da entrevista, mas sim durante todo o processo. Seja nas ligações recebidas, nos e-mails trocados e principalmente naquela hora que o RH te liga e fala: “Gostamos muito de você! Você foi aprovado, venha fazer parte do time!” Para os RHs é como fazer um gol, um golaaaço. Porque os processos (de novo) dependem de muitas varáveis. As pessoas muitas vezes tem uma visão negativa da área de RH, mas também não sabem o quanto esses profissionais lutam quando gostam de um candidato. De quantas negociações se metem. Garantem a qualidade que será representada naquela pessoa. Colocam quase a mão no fogo por ela. Por isso, vibrar junto quando se é aprovado é muito bacana. Ufa conseguimos juntos!

Se você já entendeu qual é a sua tribo, sabe por que veio e tem motivação não deixe de explorar isso nas entrevistas. Claro que às vezes o nervosismo atrapalha um pouco, mas respire fundo e se estiver muito difícil, fale para o entrevistador que está nervoso. Isso vai fazer ele ter mais empatia com você e tenho certeza que o deixará mais tranquilo.

Concluindo, em um processo seletivo existem muitas variáveis, mas é muito importante você fazer uma conexão com o entrevistador, entender que a entrevista é uma conversa, mostrar a sua motivação de estar ali e deixar claro o que te faz de diferente. Quem é você nas horas livres? Inclusive, muitas vezes, são as horas que você pode ser realmente quem deseja nessa vida. 

Por Ana Carolina da Silva

 



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